Métricas e previsibilidade Atualizado em julho de 2026 9 min de leitura

O dashboard mínimo da clínica: 8 métricas para o dono olhar toda semana

Resposta direta O dono de clínica precisa de oito números por semana: leads recebidos, origem deles, tempo de primeira resposta, taxa de agendamento, comparecimento, pacientes novos, investimento total em captação e custo por paciente novo. Alcance, curtida, seguidores e impressões não entram, porque não respondem se a agenda vai encher.
Mesa de reunião de clínica com relatório impresso mostrando gráficos simples e uma xícara ao lado

Existe um tipo de relatório que toda clínica já recebeu: doze páginas, gráficos coloridos, alcance de trezentas mil pessoas, engajamento em alta. E, no fim da leitura, o dono continua sem saber se a agenda do mês que vem vai estar cheia.

O problema não é falta de dado. É excesso de dado irrelevante.

Este artigo define o mínimo: oito números que respondem se a captação está funcionando, onde achar cada um e o que fazer quando algum deles se move.

Os oito números

#MétricaO que respondeOnde encontrar
1Leads recebidosQuantas pessoas demonstraram interesseCRM, formulário ou contagem no WhatsApp
2Origem dos leadsDe onde vieram: Google, Meta, indicação, orgânicoMarcação de campanha no formulário ou CRM
3Tempo até a primeira respostaSe a operação está atendendo rápidoCRM ou amostragem manual da semana
4Taxa de agendamentoQuantos leads viraram consulta marcadaAgendamentos ÷ leads
5Taxa de comparecimentoQuantos marcados de fato vieramComparecimentos ÷ agendamentos
6Pacientes novos atendidosO resultado final da captaçãoSistema de agenda
7Investimento total em captaçãoQuanto custou o mês inteiroVerba de mídia + fee + ferramentas + horas
8Custo por paciente novoSe a conta fechaItem 7 ÷ item 6

Os itens 1 a 6 formam uma cadeia. Quando o número final cai, a cadeia mostra onde quebrou: chegou menos gente, ou chegou a mesma gente e a resposta demorou, ou agendou igual e faltou mais.

Os itens 7 e 8 traduzem tudo isso em dinheiro, e o cálculo correto do último está detalhado em CAC de clínica médica.

Como ler a cadeia quando algo se move

A leitura só faz sentido em conjunto. Alguns padrões comuns:

Leads caíram, o resto igual. Problema de topo: verba, criativo cansado, sazonalidade ou concorrência mais agressiva no leilão.

Leads iguais, agendamento caiu. Problema de operação ou de qualidade do lead. Verifique primeiro o tempo de resposta, que é a causa mais frequente e a mais fácil de corrigir.

Agendamento igual, comparecimento caiu. Problema de confirmação. É o cenário tratado em no-show: por que 1 em cada 4 consultas não acontece.

Tudo igual e o custo por paciente subiu. Você aumentou investimento sem aumentar resultado, ou o leilão ficou mais caro. Vale olhar origem por origem antes de mexer em qualquer coisa.

Tudo caiu ao mesmo tempo. Antes de culpar o marketing, confira o óbvio: campanha pausada por cartão recusado, formulário quebrado, WhatsApp trocado no anúncio. Acontece mais do que parece.

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números resolvem a leitura semanal de uma clínica. Relatório com quarenta indicadores não é mais completo: é mais fácil de esconder o que interessa.

As quatro métricas que parecem importantes e não são

Não é que sejam inúteis. É que elas não respondem à pergunta do dono, e ocupam o lugar das que respondem.

Alcance e impressões. Dizem quantas telas exibiram o conteúdo. Não dizem nada sobre intenção. Alcance alto com zero contato significa que você apareceu para as pessoas erradas.

Curtidas e comentários. Medem simpatia, não necessidade. Um post que emociona colegas de profissão pode ter engajamento excelente e nenhum paciente.

Seguidores. Métrica de vaidade clássica. Vale acompanhar a tendência de longo prazo, nunca semanalmente, e jamais como indicador de resultado comercial.

Cliques no anúncio. Melhor que alcance, mas ainda não é lead. Muitos cliques e poucos formulários preenchidos indicam problema na página, não sucesso da campanha.

A regra que resolve: se a métrica não pode ser conectada a uma consulta, ela não entra no dashboard semanal.

A rotina de quinze minutos

Não adianta ter os números se ninguém olha. A rotina que funciona é simples:

Toda segunda, quinze minutos. Preencha os oito números da semana anterior. Olhe a cadeia, não os números soltos. Anote em uma linha o que chamou atenção.

Uma vez por mês, quarenta minutos. Compare os quatro últimos meses. Aqui sim cabem decisões: cortar canal, mudar verba, ajustar oferta. Decisão tomada com uma semana de dado é aposta.

A cada trimestre. Reveja o que mudou de fato e o que só oscilou. É onde a série histórica começa a valer mais que qualquer benchmark de mercado.

Uma observação de expectativa: projeto novo não mostra estabilidade nos primeiros meses, e ler os números como se mostrasse leva a cortar o que ainda ia funcionar. A régua de maturação está em marketing médico dá resultado em quanto tempo.

“Transparência total nos números, inclusive quando o mês é ruim.”

Leonardo Melo, fundador da 7Tima. Pilar de métricas do Método CLQ, 2026

Onde a maioria trava

Dos oito números, o que mais falta nas clínicas é o número 2: a origem do lead. Sem ele, você tem um total e nenhuma capacidade de decisão, porque não dá para aumentar o que funciona nem cortar o que não funciona.

E origem não se recupera depois. Ou a informação é capturada no momento em que o contato chega, ou ela se perde para sempre. É por isso que rastreamento de origem não é sofisticação técnica: é o que separa administrar de adivinhar.

Se a sua clínica só conseguir implementar uma coisa depois de ler este artigo, que seja essa: garantir que todo lead chegue identificado com o canal de onde veio.

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Perguntas frequentes

Preciso de Power BI ou ferramenta paga?

Não para começar. Oito números por semana cabem numa planilha, e planilha preenchida vale mais que dashboard bonito abandonado. Ferramenta de visualização faz sentido quando o volume cresce ou quando várias pessoas precisam olhar os mesmos dados sem pedir para ninguém.

Com que frequência devo olhar?

Semanal para operação e mensal para decisão. Olhar todo dia gera reação a ruído: uma terça fraca não significa nada. Mudanças de estratégia devem ser tomadas com pelo menos um mês de dados, e campanhas precisam de tempo para maturar antes de qualquer julgamento.

E se a agência não me manda esses números?

Peça. São dados da sua operação, não propriedade intelectual de ninguém. Se a resposta for um relatório cheio de alcance e engajamento sem custo por lead e sem agendamento, você tem um problema de combinado antes de ter um problema de resultado.

Qual é o número mais importante dos oito?

Pacientes novos que compareceram. Todos os outros existem para explicar por que esse subiu ou caiu. Se você só puder acompanhar um, acompanhe esse, e mantenha ao lado o investimento total, porque um sem o outro não conta a história.

Minha recepção não tem tempo para anotar isso.

Comece por dois: quantos contatos chegaram e quantos viraram consulta. Leva menos de cinco minutos por dia e já muda a conversa. O resto se acrescenta quando a rotina estiver de pé, e boa parte pode vir automática do CRM depois.

Fontes

  • Estrutura de acompanhamento semanal usada pela 7Tima nos projetos de clientes, no pilar de métricas do Método CLQ. É a prática da agência, não um padrão de mercado.
  • Os valores usados nos exemplos são ilustrativos, para demonstrar o raciocínio de leitura dos números. Não são benchmark nem meta.
Leonardo Melo, fundador da 7Tima
Leonardo Melo
Fundador da 7Tima, agência de marketing para clínicas médicas. Criador do Método CLQ (Ciclo de Leads Qualificados). Desde 2018 ajudando profissionais da saúde e desde 2025 ajudando clínicas a lotarem a agenda com método, não com sorte. Todos os artigos