Guias de decisão Atualizado em julho de 2026 9 min de leitura

Verba de mídia não é fee de agência: como ler uma proposta de marketing médico

Resposta direta Fee de agência remunera o trabalho de quem planeja e executa. Verba de mídia é o dinheiro que vai integralmente para Google e Meta comprar anúncio, e nunca deveria ficar com a agência. Proposta que junta os dois num valor único impede comparação e esconde quanto você está pagando por serviço e quanto está investindo em alcance.
Duas propostas comerciais impressas lado a lado sobre mesa de reunião com caneta

Uma clínica recebe duas propostas. Uma pede R$ 5.000 por mês, outra pede R$ 9.000. Parece óbvio qual é a mais barata, e é aí que a maior parte das decisões ruins de marketing começa.

Se a primeira inclui a verba de anúncio no valor e a segunda não, você pode estar comparando R$ 3.000 de serviço com R$ 9.000 de serviço. Ou o contrário. Sem separar os componentes, a comparação não significa nada.

Este artigo mostra como ler uma proposta linha a linha, como equalizar ofertas de estruturas diferentes e o que perguntar antes de assinar.

Os dois valores que nunca deveriam se misturar

Fee de agência é o que remunera o trabalho: estratégia, produção de conteúdo, gestão das campanhas, análise, reuniões, as pessoas envolvidas. É o preço do serviço.

Verba de mídia é o dinheiro que vai integralmente para Google e Meta comprar exibição. Não é receita da agência, é investimento seu em alcance, e deve ser comprovável nos relatórios das plataformas.

São valores com destinos diferentes, comportamentos diferentes e critérios de avaliação diferentes. Fee você avalia por qualidade de entrega. Verba você avalia por retorno de campanha.

Quando a proposta apresenta um número único, três coisas ficam impossíveis: comparar com outra agência, saber quanto está realmente indo para anúncio e discutir aumento de verba sem renegociar o contrato inteiro.

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valores separados é o mínimo que uma proposta séria apresenta. Número único não é simplificação, é falta de transparência sobre para onde vai o seu dinheiro.

Os cinco componentes de um orçamento completo

Uma proposta bem-feita deixa explícito cada um destes itens, mesmo quando alguns são zero:

  1. Fee de gestão e estratégia. Quem planeja, acompanha e responde pelos números.
  2. Produção de conteúdo. Roteiro, gravação, edição, design. Pode estar dentro do fee ou ser cobrado por volume.
  3. Verba de mídia. O valor destinado às plataformas, idealmente pago direto por você.
  4. Ferramentas. CRM, automação, hospedagem, ferramenta de relatório. De quem é a assinatura e quem paga.
  5. Extras previsíveis. Deslocamento para gravação, produção adicional, campanhas fora do plano.

O item 5 é o que mais gera atrito depois. Pergunte, antes de assinar, o que acontece quando você pede uma peça a mais no meio do mês.

Como comparar duas propostas de estruturas diferentes

O método é chato e resolve. Monte uma tabela como esta, com os valores das duas propostas, usando os números ilustrativos abaixo apenas como exemplo de raciocínio:

ComponenteProposta AProposta B
Fee de gestãoR$ 3.000R$ 6.000
Produção de conteúdoincluída (4 peças)incluída (8 peças)
Verba de mídiaR$ 2.000 (dentro do valor)pago à parte pela clínica
Ferramentaspor conta da clínicainclusas
Total que sai do seu caixaR$ 5.000R$ 6.000 + verba
Quanto é serviçoR$ 3.000R$ 6.000

Com a tabela montada, a conversa muda: a proposta A não é mais barata, ela é menor. A pergunta deixa de ser “qual custa menos” e passa a ser “qual escopo faz sentido para o meu momento”, que é a pergunta certa.

E atenção ao efeito colateral da proposta A: quando a verba está dentro do fee, existe um conflito de interesse silencioso. Cada real gasto em anúncio sai do bolso de quem executa, o que cria incentivo para gastar menos em mídia do que a campanha precisaria.

As oito perguntas antes de assinar

  1. Qual valor é fee e qual é verba de mídia? Se não estiver separado na proposta, peça por escrito.
  2. A conta de anúncios fica no CNPJ de quem? A resposta certa é o seu.
  3. Quem paga a plataforma? O ideal é o cartão da clínica, com você vendo o extrato.
  4. O que exatamente está incluso por mês? Quantidade de peças, campanhas, relatórios e reuniões.
  5. O que é cobrado à parte? Deslocamento, produção extra, landing page adicional.
  6. De quem são os ativos ao fim do contrato? Conta de anúncios, públicos, páginas, textos, artes e o CRM.
  7. Qual o prazo de contrato e a regra de saída? Aviso prévio, multa e o que acontece com o trabalho em andamento.
  8. Quem toca o projeto no dia a dia? Nome e senioridade, não “nosso time”.

A pergunta 6 é a que mais gente esquece e a que mais dói. Encerrar uma parceria e descobrir que a conta de anúncios, com todo o histórico de aprendizado, pertence à agência é começar do zero em vez de trocar de parceiro.

“Prometemos previsibilidade e método, não faturamento.”

Leonardo Melo, fundador da 7Tima. Princípio de honestidade radical da agência, 2026

Sinais de alerta numa proposta

Uma nota sobre preço e valor

Proposta cara não é sinônimo de boa, e barata não é sinônimo de ruim. O que existe é adequação entre o que você precisa e o que está sendo oferecido.

Clínica que precisa de posicionamento, produção, tráfego e operação de leads não vai ser bem atendida pelo menor preço do mercado, porque simplesmente não cabem quatro frentes no orçamento de uma. E clínica que só precisa de gestão de tráfego não deveria pagar por um pacote completo que não vai usar.

O caminho para acertar é conhecer o próprio estágio antes de olhar preço. As faixas por porte de clínica estão em quanto investir em marketing pela sua faixa de faturamento, e a comparação entre agência, equipe interna, gestor de tráfego e mentoria está em o comparativo que ninguém faz.

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Perguntas frequentes

A agência pode ficar com parte da verba de mídia?

Não deveria, e você tem o direito de exigir transparência sobre isso. A verba é investimento seu em alcance, comprovável nos relatórios das plataformas. Se a agência não mostra o valor exato investido em cada campanha, você não tem como saber se o dinheiro foi para o anúncio ou para outro lugar.

O ideal é a verba sair da minha conta ou da conta da agência?

Da sua, sempre que possível. Conta de anúncio no CNPJ da clínica, com o cartão da clínica, significa que os ativos, o histórico de aprendizado e os públicos são seus. Se um dia a parceria terminar, você não recomeça do zero. É um detalhe contratual que quase ninguém discute na assinatura e que dói muito na saída.

Proposta mais barata é sempre pior?

Não necessariamente, mas quase sempre é diferente. O barato costuma cobrir menos frentes, ter menos horas de gente sênior ou incluir a verba no valor total. Compare escopo por escopo antes de comparar preço por preço, senão você está escolhendo entre coisas que não são a mesma.

Quanto da minha verba deve ir para mídia?

Depende do estágio da clínica e da meta, não existe percentual universal. O que existe é uma regra de sanidade: verba de mídia insuficiente faz o trabalho de estratégia e produção render pouco, e verba alta com execução fraca queima dinheiro mais rápido. As faixas por porte estão no artigo sobre quanto investir.

Posso negociar o fee?

Pode, mas negocie escopo junto. Fee menor com o mesmo escopo costuma significar menos horas de gente experiente no seu projeto, o que aparece na qualidade três meses depois. Reduzir entregas e reduzir preço na mesma proporção é uma conversa honesta; só reduzir preço não é.

Fontes

  • Prática de mercado observada pela 7Tima na análise de propostas apresentadas a clínicas por outras agências, entre 2021 e 2026, no contexto do Diagnóstico oferecido a prospects.
  • Os valores usados nos exemplos deste artigo são ilustrativos, escolhidos para demonstrar o raciocínio de comparação. Não são tabela da 7Tima nem referência de mercado.
Leonardo Melo, fundador da 7Tima
Leonardo Melo
Fundador da 7Tima, agência de marketing para clínicas médicas. Criador do Método CLQ (Ciclo de Leads Qualificados). Desde 2018 ajudando profissionais da saúde e desde 2025 ajudando clínicas a lotarem a agenda com método, não com sorte. Todos os artigos