Verba de mídia não é fee de agência: como ler uma proposta de marketing médico
Uma clínica recebe duas propostas. Uma pede R$ 5.000 por mês, outra pede R$ 9.000. Parece óbvio qual é a mais barata, e é aí que a maior parte das decisões ruins de marketing começa.
Se a primeira inclui a verba de anúncio no valor e a segunda não, você pode estar comparando R$ 3.000 de serviço com R$ 9.000 de serviço. Ou o contrário. Sem separar os componentes, a comparação não significa nada.
Este artigo mostra como ler uma proposta linha a linha, como equalizar ofertas de estruturas diferentes e o que perguntar antes de assinar.
Os dois valores que nunca deveriam se misturar
Fee de agência é o que remunera o trabalho: estratégia, produção de conteúdo, gestão das campanhas, análise, reuniões, as pessoas envolvidas. É o preço do serviço.
Verba de mídia é o dinheiro que vai integralmente para Google e Meta comprar exibição. Não é receita da agência, é investimento seu em alcance, e deve ser comprovável nos relatórios das plataformas.
São valores com destinos diferentes, comportamentos diferentes e critérios de avaliação diferentes. Fee você avalia por qualidade de entrega. Verba você avalia por retorno de campanha.
Quando a proposta apresenta um número único, três coisas ficam impossíveis: comparar com outra agência, saber quanto está realmente indo para anúncio e discutir aumento de verba sem renegociar o contrato inteiro.
valores separados é o mínimo que uma proposta séria apresenta. Número único não é simplificação, é falta de transparência sobre para onde vai o seu dinheiro.
Os cinco componentes de um orçamento completo
Uma proposta bem-feita deixa explícito cada um destes itens, mesmo quando alguns são zero:
- Fee de gestão e estratégia. Quem planeja, acompanha e responde pelos números.
- Produção de conteúdo. Roteiro, gravação, edição, design. Pode estar dentro do fee ou ser cobrado por volume.
- Verba de mídia. O valor destinado às plataformas, idealmente pago direto por você.
- Ferramentas. CRM, automação, hospedagem, ferramenta de relatório. De quem é a assinatura e quem paga.
- Extras previsíveis. Deslocamento para gravação, produção adicional, campanhas fora do plano.
O item 5 é o que mais gera atrito depois. Pergunte, antes de assinar, o que acontece quando você pede uma peça a mais no meio do mês.
Como comparar duas propostas de estruturas diferentes
O método é chato e resolve. Monte uma tabela como esta, com os valores das duas propostas, usando os números ilustrativos abaixo apenas como exemplo de raciocínio:
| Componente | Proposta A | Proposta B |
|---|---|---|
| Fee de gestão | R$ 3.000 | R$ 6.000 |
| Produção de conteúdo | incluída (4 peças) | incluída (8 peças) |
| Verba de mídia | R$ 2.000 (dentro do valor) | pago à parte pela clínica |
| Ferramentas | por conta da clínica | inclusas |
| Total que sai do seu caixa | R$ 5.000 | R$ 6.000 + verba |
| Quanto é serviço | R$ 3.000 | R$ 6.000 |
Com a tabela montada, a conversa muda: a proposta A não é mais barata, ela é menor. A pergunta deixa de ser “qual custa menos” e passa a ser “qual escopo faz sentido para o meu momento”, que é a pergunta certa.
E atenção ao efeito colateral da proposta A: quando a verba está dentro do fee, existe um conflito de interesse silencioso. Cada real gasto em anúncio sai do bolso de quem executa, o que cria incentivo para gastar menos em mídia do que a campanha precisaria.
As oito perguntas antes de assinar
- Qual valor é fee e qual é verba de mídia? Se não estiver separado na proposta, peça por escrito.
- A conta de anúncios fica no CNPJ de quem? A resposta certa é o seu.
- Quem paga a plataforma? O ideal é o cartão da clínica, com você vendo o extrato.
- O que exatamente está incluso por mês? Quantidade de peças, campanhas, relatórios e reuniões.
- O que é cobrado à parte? Deslocamento, produção extra, landing page adicional.
- De quem são os ativos ao fim do contrato? Conta de anúncios, públicos, páginas, textos, artes e o CRM.
- Qual o prazo de contrato e a regra de saída? Aviso prévio, multa e o que acontece com o trabalho em andamento.
- Quem toca o projeto no dia a dia? Nome e senioridade, não “nosso time”.
A pergunta 6 é a que mais gente esquece e a que mais dói. Encerrar uma parceria e descobrir que a conta de anúncios, com todo o histórico de aprendizado, pertence à agência é começar do zero em vez de trocar de parceiro.
“Prometemos previsibilidade e método, não faturamento.”
Leonardo Melo, fundador da 7Tima. Princípio de honestidade radical da agência, 2026
Sinais de alerta numa proposta
- Valor único sem discriminação. Já discutido, e é o mais comum.
- Garantia de resultado. Número fechado de pacientes ou de faturamento. Além de irreal, encosta na vedação de promessa da norma de publicidade médica.
- Escopo descrito em adjetivos. “Gestão completa”, “presença digital robusta”, “estratégia 360”. Peça entregáveis contáveis.
- Sem menção a compliance. Agência que não cita a norma do conselho na proposta provavelmente não vai citá-la na produção. O risco recai sobre você, tema tratado em tráfego pago para médico sem infração.
- Relatório de vaidade. Se o que a agência promete mostrar é alcance e curtida, e não custo por lead e agendamento, o combinado já nasce errado.
- Pressão de fechamento. Desconto que expira em 48 horas é técnica de venda, não de parceria de 12 meses.
Uma nota sobre preço e valor
Proposta cara não é sinônimo de boa, e barata não é sinônimo de ruim. O que existe é adequação entre o que você precisa e o que está sendo oferecido.
Clínica que precisa de posicionamento, produção, tráfego e operação de leads não vai ser bem atendida pelo menor preço do mercado, porque simplesmente não cabem quatro frentes no orçamento de uma. E clínica que só precisa de gestão de tráfego não deveria pagar por um pacote completo que não vai usar.
O caminho para acertar é conhecer o próprio estágio antes de olhar preço. As faixas por porte de clínica estão em quanto investir em marketing pela sua faixa de faturamento, e a comparação entre agência, equipe interna, gestor de tráfego e mentoria está em o comparativo que ninguém faz.
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Perguntas frequentes
A agência pode ficar com parte da verba de mídia?
Não deveria, e você tem o direito de exigir transparência sobre isso. A verba é investimento seu em alcance, comprovável nos relatórios das plataformas. Se a agência não mostra o valor exato investido em cada campanha, você não tem como saber se o dinheiro foi para o anúncio ou para outro lugar.
O ideal é a verba sair da minha conta ou da conta da agência?
Da sua, sempre que possível. Conta de anúncio no CNPJ da clínica, com o cartão da clínica, significa que os ativos, o histórico de aprendizado e os públicos são seus. Se um dia a parceria terminar, você não recomeça do zero. É um detalhe contratual que quase ninguém discute na assinatura e que dói muito na saída.
Proposta mais barata é sempre pior?
Não necessariamente, mas quase sempre é diferente. O barato costuma cobrir menos frentes, ter menos horas de gente sênior ou incluir a verba no valor total. Compare escopo por escopo antes de comparar preço por preço, senão você está escolhendo entre coisas que não são a mesma.
Quanto da minha verba deve ir para mídia?
Depende do estágio da clínica e da meta, não existe percentual universal. O que existe é uma regra de sanidade: verba de mídia insuficiente faz o trabalho de estratégia e produção render pouco, e verba alta com execução fraca queima dinheiro mais rápido. As faixas por porte estão no artigo sobre quanto investir.
Posso negociar o fee?
Pode, mas negocie escopo junto. Fee menor com o mesmo escopo costuma significar menos horas de gente experiente no seu projeto, o que aparece na qualidade três meses depois. Reduzir entregas e reduzir preço na mesma proporção é uma conversa honesta; só reduzir preço não é.
Fontes
- Prática de mercado observada pela 7Tima na análise de propostas apresentadas a clínicas por outras agências, entre 2021 e 2026, no contexto do Diagnóstico oferecido a prospects.
- Os valores usados nos exemplos deste artigo são ilustrativos, escolhidos para demonstrar o raciocínio de comparação. Não são tabela da 7Tima nem referência de mercado.
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